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]]>Damião todo mundo conhece… ou deveria, já que é quem melhor ilustra Trancoso em seus mínimos detalhes poéticos no bico de pena ou na profusão de cores em óleo sobre tela… mas o quê quase ninguém sabe, é antigamente no Quadrado tinha um pé de Eugênia MAJESTOSO… Quem é antigo por aqui, deve lembrar… um pé de jambo, uma Eugénia linda, bem na frente a casa do “Seu Flor”… Pai de Damião.
Damião nos contou que ficava debruçado na janela da casa, admirando aquela árvore e pensando: Que linda, Eugênia! Apaixonado pela sua copa frondosa, e pelo tapete fúcsia que se formava debaixo dela, ele treinava seus traços tentando reproduzir aquela beleza…

Arte: Damião Vieira 2013 / Bico de Pena
Dias e anos se passaram, e o amor pela Eugênia só aumentara…
“quando tiver uma filha, ela irá se chamar Eugênia…” profetizou o artista.
Damião conheceu Joelma que hoje também é artista, e desse romance nasceram duas pinturas: o caçula é Caetano e a primogênita é Eugênia!
Dezoito anos se passaram e para orgulho desse pai, que sonhava com uma Eugênia enorme da sua sua janela, hoje ela é “moça feita” linda e majestosa…
Fonte: Damião Vieira em entrevista em 2017
Gostou?
Essa e outras reproduções das telas do Damião, assim como, a pinturas em tecido da Joelma Martins estão à venda no Espaço Trancoseando
Rua Carlos Alberto Parracho, 36 loja – Quadrado – Trancoso
16:00 às 22:00 seg à dom
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]]>O termo “Capoeira”, curiosamente, vem do tupi, “ kapu’era”, que significa “mata que foi”, ou seja, um campo roçado para o cultivo, mas que antes era mata fechada. Entretanto, a arte da copeira foi herança deixada pelos escravos africanos no final do século XVI; talvez por isso, o nome seja esse, afinal era atribuição dos escravos roçar a mata para o cultivo da cana-de-açúcar, e a capoeira era praticada em campo aberto, junto a senzala.
A capoeira é uma arte marcial que possui movimentos ágeis e ritmados a uma música para ser confundida com uma dança. Na época, com o intuito de ludibriar os escravizadores, que não percebiam que não se tratava de uma confraternização na senzala, e sim um treinamento de arte marcial que poderia ser útil durante as tentativas de fuga. Assim, os escravos praticavam a capoeira enquanto seus companheiros cantavam e batiam palmas, e uma vez ou outra, fingiam estarem dançando, para disfarçar o treinamento. Os golpes e esquivas eram praticados durante essa uma falsa dança, que daria a origem então a um importante elemento da capoeira: a ginga.
A ginga é o movimento elementar da capoeira, e requer uma boa dose de coordenação motora. Seguidos dos chutes aéreos em rotação, as rasteiras, os floreios, como o “aú” e a parada de mão, conhecida na capoeira como “bananeira”, além das cabeçadas, por muitas vezes os escravos estarem acorrentados. Todos esses movimentos requerem força, grande elasticidade e muito treino. Por fim, as imprescindíveis esquivas, que demandam agilidade, atenção redobrada e muita prática.
A musicalidade distingue a capoeira de todos os outros esportes de combate, pois os praticantes aprendem não apenas a lutar e “a jogar” (que seria a forma lúdica de praticar), mas também a tocar instrumentos típicos e a cantar, solo ou em coro. A música é fundamental na formação da roda de capoeira; que resulta em um circulo de capoeiristas cantando e tocando enquanto a capoeira é jogada. É na roda, que os capoeiristas, além de praticar o esporte, compõem um belo e memorável espetáculo artístico, geralmente acompanhados de um bater de palmas, atabaque e o som do berimbau.
A pratica da capoeira, antes marginalizada, somente foi reconhecida como esporte no Brasil em 1937, depois que Mestre Bimba a apresentou ao então presidente Getúlio Vargas. Foram 71 anos até ser tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio cultural Brasileiro e recentemente, em 2014, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, justamente por reunir história, cultura, música, dança, direitos humanos, luta pela liberdade, honra, dignidade, coragem, crenças, fé e resiliência, expressando assim, importantes valores da humanidade em uma única arte.

Gostaram da história? Muito legal, né? O Contra Mestre Diney de Trancoso nos forneceu essas belas fotos! Obrigada Diney!
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]]>“Nasci na beira da praia e cresci entre a praia e o Quadrado. Assim foi com meus pais, meus avós, bisavós e tataravós.”
Na verdade, todos os seus familiares nasceram e sempre moraram em Trancoso, há muitas gerações. Damião é o nativo que melhor ilustra Trancoso, literalmente.
Começou seus primeiros esboços ainda criança, na escola; antes dos 12 anos já sentia que gostava de desenhar e pintar. Entretanto, nessa época, em Trancoso, quem pintava bem, também poderia se “dar bem” como pedreiro ou carpinteiro… Segundo ele, não havia espaço para outro tipo de pintor que não fosse de parede.
Autodidata, recorda-se também que foi no inicio dos anos 80, com a chegada dos turistas e dos novos moradores de Trancoso, muitos dos quais também eram artistas, que recebeu grande incentivo para que continuasse pintando até um dia poder viver da sua própria arte. Esse incentivo, era em forma de troca…
Como Damião não saia dos limites de Trancoso sempre que algum novo morador viajava trazia algum material de desenho e dividia com ele. Geralmente, Damião retribuía com os desenhos que fazia; e assim, a amizade crescia.
Nunca frequentou nenhuma escola de arte e antes da internet, raras foram às vezes que ele teve contato com algum livro ou revista de arte… Ele se lembra das poucas vezes que pode, através de livros emprestados, contemplar o trabalho de artistas como Candido Portinari, Di Cavalcanti, Alberto da Veiga Guignard e mais tarde, pode conhecer também alguns impressionistas, como Claude Monet, Edgar Degas, Toulouse–Lautrec, Van Gogh.
“Meu estilo é próprio e também não saberia defini-lo com a mesma precisão de quem passou por uma escola de arte. Considero que meu estilo vem sendo formado ao longo do tempo pela minha paixão em observar as paisagens, a vegetação, o casario e, principalmente, a luz daqui.”
A primeira pintura sacra que fez para as festas de Trancoso foi uma Bandeira de São Brás, e já se vão quase 30 anos. De lá pra cá não parou mais. A cada ano, são duas novas bandeiras surgem assinadas por ele.
Damião ilustra a vida nativa e cultural de Trancoso nas suas telas e no seu próprio lifestyle. Cercado por paisagens de um colorido fascinante, sua pretensão é continuar aprendendo, produzindo e mostrando Trancoso para o mundo através da sua arte.
“Acho que minha única escola foi ter a oportunidade de experimentar diferentes materiais que sobravam dos visitantes de Trancoso.”
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]]>Tudo começou mais ou menos na década de 80, quando Romualdo também conhecido pelos amigos como Mereré ainda tinha 10 anos. Ele trocou 5kg de carne (sim! Eu não escrevi errado! 5 kgs de c-a-r-n-e) por uma prancha de um mineiro que estava tentando pegar onda na praia dos Nativos…
Muito provavelmente esse mineiro, pela primeira vez em Trancoso, veio na esperança de passar um verão surfando no litoral baiano que nessa época era super deserto e primitivo, mas que já era famoso pelas praias de nudismo…
A prancha era pequena para ele, não tinha lash, não tinha parafina, camisa de lycra… Ou seja, levou anos, anos, e mais anos para conseguir ficar em pé na prancha! Como era a única prancha de Trancoso, “bonzinho que só” Romualdo estava sempre empresando para os amigos que tentavam surfar com ele…
Um belo dia, empresando a prancha para um dos seus amigos, a prancha quebrou. Não restou alternativa, senão chorar, chorar e chorar… Não havia “shaper”, não havia loja… Naquela época se quer havia sido descoberto algum pico de onda surfável…
Por sorte, algum tempo depois a família desse amigo que havia quebrado a prancha foi a Ilhéus e lá por estar perto de Itacaré e também por ser bem mais desenvolvido que Porto Seguro tinha uma loja de surf (Aaaaaaaleluia!) E o amigo ressarciu o prejuízo e lhe comprou uma prancha novinha!
A nova prancha era bem maior do que a anterior e assim ele finalmente conseguiu subir e ficar em pé… (Uhuu!) E a santa prancha virou a prancha “da galera” (!!) Todo mundo passou a adorar a surfar com ela porque nessa prancha eles conseguiam ficar em pé…
Ele comenta rindo:
“De tanto uso, a prancha começou a se desfazer! A capa de cima saiu e ralava a barriga da gente mas a gente continuava surfando todo cortado assim mesmo…”
Romualdo ganhava a vida vendendo cocos na praia, até que um dia apareceu alguém dizendo que tinha uma lycra de surf… Não pensou duas vezes e trocou 60 cocos por essa camisa de lycra, mas a camisa era gigante para ele. Cabia dois dele dentro, mas mesmo assim seguiu tentando surfar enquanto a prancha se desfazia de tão velinha…
Verão vai, verão vem e apareceu “um pessoal de São Paulo” com pranchas para alugar durante o verão, passado a temporada, Romualdo conseguiu comprar essas pranchas e começou a alugar na praia também… o que virou uma fonte de renda e um novo meio de vida para ele:
“…já fui largando de vender coco para mexer com prancha”.
Ele conta que tinha paciência com os amigos para empurrá-los nas ondas e assim foi ensinando os amigos a surfar… Nessa época conheceu também a galera de Porto Seguro e do Arraial D´Ajuda, que segundo ele já estavam “muito evoluídos no surf”, já tinham parafina, “cordinha”… Já faziam até surf trip para Itacaré com uma Brasília que tinham comprado em grupo só para esse fim… lembra Mereré.
Nessa época descobriu com “essa galera” onde poderia consertar prancha em Porto Seguro, e começou a ensinar surf para os filhos dos donos de algumas pousadas e depois, as próprias pousadas começaram a indicar ele para os hóspedes aprenderem a surfar. Assim, sem planejamento e com muito amor pelo que estava fazendo, ia Romualdo aprendendo a ser professor de surf.
Foi assim que muitas gerações de Trancoso aprenderam a surfar. Hoje Romualdo é certificado pelo Imbra Surf como instrutor de Surf e como formador de instrutor de surf também ! Hoje Romualdo Mereré vive do surf e para o surf; e foi ele o descobridor do pico de Patimirim…
(mas aí já é outra história) Continua….
Aulas Particulares de Surf, Kitesurf, e Surf Guide
Romualdo Mereré
Tel: (73) 98127-7388
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Nativo de Trancoso, Diney começou a praticar capoeira em 1991 e sete anos depois “pegou” a corda de monitor com o mestre Mão Branca. Alguns anos se passaram para que sua carreira decolasse para a Europa. Foi em 2006, depois de ter recebido o primeiro convite para participar workshops por vários países europeus, que o mundo pode conhecer a força e o gingado do Capoeira Diney.
Formado em Contra-Mestre pelo Mestre Railson em 2015 no Mundial de Capoeira, atualmente, Diney está como Presidente da Casa de Cultura em Trancoso, onde acontecem regularmente aulas de Capoeira para crianças e adultos. Além de presidir a Casa de Cultura, Diney coordena há mais de 10 anos um Projeto Social, aqui em Trancoso, para crianças e pré-adolescentes com o objetivo de tornar esses jovens bons cidadãos, longe da área de risco das drogas e violência, além da possibilidade profissionalização através da capoeira.
Para participar do projeto social, as crianças precisam estar matriculadas e frequentando a escola, ter bom comportamento, boas notas, ser um aluno cooperativo, além de não estar envolvido com bulling, agressões ou qualquer tipo de confusão e violência no ambiente escolar.
Diney desenvolveu uma forma genial de sustentabilidade para seu projeto; ao oferecer aulas gratuitas de capoeira para 99% dos seus alunos jovens ou adultos, em contrapartida eles se tornam parceiros compondo a roda de capoeira em apresentações e shows privados. Com essa formula, Diney consegue alavancar os recursos básicos para manter a escola, o projeto com as crianças e a sua própria remuneração; e ainda oferece à comunidade educação física e cultural, e aos visitantes de Trancoso, ele concede a oportunidade de conhecer e participar de uma roda de capoeira autêntica dentro da casa ou da pousada que esteja hospedado; incrementando ainda mais as experiências que Trancoso proporciona para quem vem de fora.
Sob a sua supervisão, alguns alunos, replicam seu trabalho, dando aulas na comunidade de Itaporanga e Mirante do Rio Verde, englobando aproximadamente 400 alunos no total.
Diney ainda conta, esporadicamente, com doações de amigos para material escolar e uniformes para seus alunos do projeto e também com o apoio institucional do Uxua Casa Hotel para manter o projeto funcionando e crescendo.
Contato:
Horário das aulas em Trancoso:
Seg/ quar/ sex
Manhã: 8:00 às 10:00
Projeto Social com 60 crianças, 17:30 às 19:00
Treino adulto: 19:00 às 21:00
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